sexta-feira, 1 de julho de 2016

Resenha: O Líder que Deus Usa










SHEDD, Russel. O Líder que Deus Usa: Resgatando a liderança bíblica para a igreja no novo milênio (Título original: Biblical Leadership - The Leader God Uses) - Tradução Edmilson E. Bizerra; São Paulo: Vida Nova, 2001. 128 pp.




O autor Russell Shedd, que é teólogo, missionário, consultor e conferencista, destaca, de início, no presente livro que devemos atentar para o tema "liderança”, não apegando-nos a  fórmulas e métodos pragmáticos, mas com o intuito de glorificar a Deus. Para o autor, diante dos desafios atuais há a necessidade de líderes que sejam irrepreensíveis e segundo o coração de Deus. Shedd faz distinção entre a liderança secular e a espiritual, mostrando que a fundamentação do líder espiritual está em seu equilíbrio e atitudes.
Shedd mostra que em qualquer comunidade ou organização há a presença da liderança , tendo em mente que os líderes desfrutam de privilégios e responsabilidades. Reconhecer as necessidades que envolvem e rodeiam um grupo, ajudar na identificação de problemas trazendo respostas que satisfaz, são algumas da características que mostraram a compreensão do indivíduo concernente à liderança.
Segundo o autor, o líder precisa ser convincente, ter posição de autoridade, personalidade forte e distinta, qualidades, habilidades, disposição e determinação; e acima disso tudo elevado, dirigido e usado por Deus!
O autor segue, mostrando na Bíblia, exemplos de Homens Usados por Deus, verdadeiros líderes na antiguidade: José, na casa e Potifar, no cárcere e por final, como governador no Egito. Moisés, com suas incríveis qualidades quanto à  liderança no deserto e como libertador do povo de Israel. Davi, em sua determinação e coragem quanto aos negócios da família e da nação israelita. Para Shedd, esses homens passaram a ideia de inteligência, atenção, facilidade de se comunicar, objetividade, originalidade, flexibilidade, sabedoria, conhecimento, princípio de justiça, humildade, cooperação, adaptação, iniciativa, análise, discernimento...
A liderança espiritual, que tem uma extrema importância externa, deve ser antecedida, segundo o autor, por um processo de seleção que envolve as características e personalidades que devem ser procuradas em um líder: deve agir com o coração de Deus, ser aprovado, ter disponibilidade para aprender e ensinar, ter perseverança.
Para o autor, o caráter é um traço nobre na liderança. Caráter que deverá ser demonstrado pela sensibilidade ao pecado e boa reputação (santidade), coragem mesclado com zelo (cheio do Espírito), inteligência sobrenatural (sabedoria), confiança em Deus (fé), fazer o bem (amor), disposição para servir (diaconia).
Segundo Shedd, a base da liderança está em Deus e o líder segue o modelo de Jesus e suas instruções sobre a liderança. O verdadeiro líder segue os princípios de liderança de Jesus. O verdadeiro líder tem Uma Nova Mentalidade seguindo o padrão de Jesus, sem preconceitos , aprendendo sempre com o Mestre. O líder mostrará compaixão para com o fraco, o doente e os membros esquecidos da sociedade! O cristo requer que o líder seja generoso, fiel, que tenha a disponibilidade para repartir.
O líder que Deus usa permanece em Cristo, ele tem um relacionamento íntimo e espiritual com o seu Senhor. O líder espiritual entende e guarda as palavras de Deus, participa da vida em Cristo.
Shedd prossegue mostrando que o líder tem visão a fim de alcançar objetivos; ele focaliza o alvo, olhando para o futuro! Para o autor, é imprescindível que o líder exerça sua função estimando valores, motivando o grupo liderado a alcançar alvos. Deus age na Terra e requer quer os seus líderes  organizem e administrem suas atividades. O líder, com a ajuda de Deus, faz com que a unidade e o desempenho sejam reais a fim de que tudo funcione apropriadamente. Aquele que é chamado por Deus exerce função de liderança antes, durante e depois do processo de crescimento. O líder representa Deus e apresenta resultados.
O autor faz um vislumbre sobre as forças opostas: incredulidade, inconstância, desânimo, estagnação, inveja, soberba, falsidade. Esses são itens que podem comprometer a relação líder-liderado, prejudicando a liderança, podendo até levá-la ao fracasso.
Diante do supracitado, Russell Shedd nos convida ao equilíbrio, convida-nos a agir com atitudes que nos tornem bem-sucedidos, a fim de recebermos a devida recompensa.



Por Fernando José. 




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domingo, 26 de junho de 2016

Catu-Bahia: 148 Anos





Catu, município baiano por natureza. Apesar dos pesares, é próspero, petrolífero e comercial.  O quadro econômico-social atual é semelhante à nossa topografia: irregular. Mas temos esperança. Ficamos a 78 km da cidade de Salvador, e acreditamos no Sotero (Salvador). Catuenses, soteropolitanos, na fé.

Somos assim:

Temos duas Baixadas: uma é “da Paz”, a outra, jorra petróleo: “Ouro Negro”. Falando em petróleo, nesse ramo Catu é “Pioneiro”. Aqui há pessoas da classe A, B, C; temos também alguém da nobreza, da elite: Barão de Camaçari.  Temos um bairro que tem uma “Boa Vista”: a Aruanha, e outro em que se tem um ”Bom Viver”. Temos um estádio, temos um “Campinho”. O rio São Francisco passou por aqui com sua energia: Chesf. Aqui, conhecemos a família do graveto: os Gravitos. Não sabemos muito sobre o pau-brasil, mas, ali pertinho fica o “Pau Lavrado”. Se quisermos ir ao cume, ao topo é fácil, pega o buzú e vamos até o “Planalto 1”, ou, ao “Planalto 2”. Aqui, em Catu, tem um bairro que a maioria não sabe nem o nome dele, só dizem que por lá tem uma “Rua Nova”. Temos aqui uma moça casta, separada, cheia de virtude e bondade: Santa Rita. Conhecemos um rapaz, que segue a mesma direção de Rita: São Miguel. Temos uma cidade dentro de outra cidade: Urbis. Compramos um sítio 0 km: Sítio Novo. Não temos apenas um riacho, possuímos “Dois Riachos”. Aqui começamos a contar a partir do 0 (zero) até chegarmos aos “40 (Quarenta)”.  Alguns vivem no perímetro urbano, outros preferem os lugares isolados, lá nos “Estanques”. No Norte do Brasil tem um Rio Negro, aqui temos o “Rio Vermelho”. A “Paraíba” fica mais perto do que você imagina. Por aqui podemos ver pedaços soltos de rochas, alguns fragmentos, que comumente chamamos de “Pedras”. O “Fleming” me tenha por escusado, pois não sei o que vem a significar. Em Catu há muitas mulheres, muitas damas, mas, não podemos esquecer-nos dos “Varões”... E por aí vai...!

Somos urbanos, somos rurais,
Somos populares,
Somos politizados e despolitizados,
Cultos, incultos
Cidadãos, habilidosos,
Enfim, Emancipados...!



Por Fernando José.
Texto elaborado em 2013, com revisão em 2016.




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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Não é o diabo...!




SOBRE JOÃO 10.1



Não é o diabo, é o l-a-d-r-ã-o!



O LADRÃO é:

O mercenário,
o que entra pelo lugar errado,
o que dá o jeitinho,
o inescrupuloso, o sabido gospel,
o que só vê cifrão nas ovelhas,
o preguiçoso que quer "viver da obra",
o ambicioso desmedido,
o que acha que as ovelhas são  suas,
o monopolista denominacional,
o ministro politiqueiro que faz curral eleitoral,
o que usa a Palavra para corroborar suas más palavras,
o apascentador insano e entorpecido,
o que se preocupa com a organização e esquece o organismo,
o que passa de longe quando precisamos dele,
o antiquado que pensa ser ortodoxal, 
o pastor pirata, o que tem o sonho "evangélico" de dominar o mundo...


E por aí vai!


E quem leva a culpa, como sempre? O d-i-a-b-o...!




Por Fernando José, 08 de junho de 2016


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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Resenha: Os métodos de administração de Jesus









BRINER, B. Os métodos de administração de Jesus; traduzido por Milton Azevedo Andrade. 1ª ed., São Paulo: Mundo Cristão, 1997 [15ª reimpressão/2012]. 90 p.



Bob Briner inicia seu livro falando que, em se tratando de empreendimento, Jesus Cristo é o maior administrador e o mais bem sucedido de todos os tempos. Conclusão tirada pelo autor ao fazer avaliação e observar as evidências da organização fundada pelo Mestre: uma organização com longevidade, riquezas, lealdade, sacrifício global, diversificada, integrada. A partir dessa análise, Bob deixa princípios administrativos para qualquer fundação, manutenção e avante na área administrativa, baseando-se em Cristo que construiu a maior empresa de todos os tempos com apenas 12 executivos!
Bob Briner sugere que deve haver um plano a ser obedecido, que torne o planejador firme como uma rocha e determinado, independente das circunstâncias, tendo o objetivo de executar o planejado. O administrador deve ter uma base de conhecimento (preparo) para executar o plano, produzindo resultados adequados. Segundo Briner, Jesus, através das parábolas (ensino) explicou sobre o dever de estarmos bem preparados. Sem preparo não há sucesso. Para Bob, estar preparado é desempenhar bem as tarefa que nos é atribuída.
O autor comenta também sobre a autonomia. O administrador deve ter autonomia para escolher a equipe, de maneira ordenada e cuidadosa, com os acréscimos futuros necessários para o bom funcionamento da organização. Para ele, o recrutar ou alistar com identificação precisa, traz a pessoa certa para assumir a posição em foco; se a pessoa é capaz de exercer o posto, que sejam oferecidas as melhores condições para a mesma (a pessoa certa pode trazer sucesso não somente para a organização como também para os que estão à volta). Jesus foi estratégico ao escolher o apóstolo Paulo, vindo da concorrência (farisaísmo, orgulho). O Mestre coloca como homem chave alguém que veio do concorrente, mas que, a seus olhos, era qualificado. Qualificação que provou ao mostrar que não mais representava uma ameaça à Igreja, abrindo a visão da mesma e, através das viagens missionárias, expandindo-a!
Briner sugere em Os métodos de administração de Jesus que o executivo deve ensinar (sempre) e inculcar nas mentes dos que estão à volta o verdadeiro caminho do sucesso. Ensinar com qualidade, a fim de ser bem entendido. O autor mostra ainda que dentro da esfera desse ensino há necessidade de liderança bem exercida. Tem que saber o que faz. A organização é levantada sobre a base firme da autoridade. Não deixando dúvidas quanto a quem manda... O líder deve ter uma programação para as suas ações. Escolher o momento certo para as realizações, enfim, programar as estratégias! Deve cuidar dos assuntos no momento em que surgem, agindo e trazendo respostas com prontidão. Aquele que lidera deve ter discernimento: separar a verdade do falso, as coisas corretas das erradas, as boas das más, pois, faltando discernimento haverá maior probabilidade de problemas, enganos, manipulações, ‘adições’, etc. O líder fará a coisa certa a semelhança de Jesus.
Bob Briner refere-se também ao descanso. Para ele, o líder, assim como os subordinados devem descansar, pois o descanso trará disposição, agrado e progressão, a fim de evitar estafa, colapso, cansaço e estresse.
Para Briner, praticar com humildade e honestidade as relações públicas em seu negócio quebra o estereótipo de que seu conceito é superficial e enganador.
O líder, segundo o autor, busca meios de elogiar a sua equipe, sendo agradecido, reconhecendo, aproveitando as oportunidades para dizer “Obrigado!”. Fazendo assim, diminuir a distância daqueles nos rodeiam.
O administrador, em seus empreendimentos, deverá acreditar naquilo que faz, de forma que conheça o que faz, transmitindo aquilo que conhece com entusiasmo e falando com autoridade sobre a atividade.
Em tempos difíceis cabe ao líder ser ponderado. Diante das tempestades e terríveis notícias que sobrevêm, deve reagir de forma tranquila, permanecendo com calma. Em resumo, ele terá um planejamento concernente à crise e/ou tempos difíceis.
Ainda segundo o autor, o líder deve ser pacificador, exercendo a liderança com estímulos reconciliadores. E, em se tratando de retorno, o líder deverá avaliar o feedback, se houver desapontamento com o retorno, deve haver desempenho em ensinar: ensino aplicado em situações que estejam enfrentando no momento, ensino que transmitam coisas importantes que precisam ser compartilhadas!
Bob Briner indica que o líder seguirá, no mundo dos negócios, pelo caminho estreito, agindo com diferenciação, almejando um caminho onde os outros não podem ou não querem ir. Ele se dedicará, se destacará, servirá melhor...!


Por Fernando José. 



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domingo, 1 de maio de 2016

Resenha: Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja






Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja (Título original em inglês: Reading Scripture with the Church Fathers de Christopher A. Hall da Editora Ultimato, 2007).


Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja vem, de forma instrumental, teológica e acadêmica mostrar que há, entre outros pontos, atitudes errôneas quanto ao que é ser um teólogo no tempo hodierno:
*A mente moderna que se distancia da tradição (culto, oração, comunidade cristã, compaixão, serviço, humildade, temor, tremor, envolvimento com o Espírito Santo),
*A nova teologia (que não traz nada de novo para o mundo emergente),
*O desrespeito pelas raízes (comunidade cristã da antiguidade, juntamente com suas inquirições e reflexões),
*A certeza de que é impossível a construção de uma ponte que ligue a genuína tradição (os pais) à contemporaneidade.
No capitulo 3 (Quem são os Pais?) o autor mostra o outro lado importante da vida da igreja primitiva: “as mães da igreja”, como atuaram, a importância e a mente delas, o método inquiridor, a devoção, as riquezas (que eram investidas em mosteiros e em benefício da comunidade cristã), a perspicácia acerca das escrituras, a erudição, o ascetismo, a renúncia, a disciplina, o brio...
Os capítulos 4 (Os Quatro Doutores do Oriente) e 5 (Os Quatro Doutores do Ocidente) fazem uma exposição referente às características físicas dos exegetas, também demonstra as respostas sólidas aos falsos argumentos, entre eles o do presbítero Ário quanto à encarnação do Filho de Deus, argumentos tidos como uma teologia amadora e sem saúde espiritual. Nessa parte do livro vemos a expressão de deslumbrantes pensamentos, cartas, discursos e poemas, que contêm alusões à Escritura. Aqui vemos homens introvertidos, solitários, contemplativos, poetas, ortodoxos, clássicos, retóricos, argutos hermeneuticamente, perpétuos estudantes, influenciados por mulheres que se tornaram marco, guia e influência; pastores, bispos, teólogos, de forte liderança eclesiástica; homens que criam que a Escritura vem do Espírito Santo, reverentes a mensagem. Christopher Hall apresenta, nos capítulos referidos, personagens que faziam leitura contínua da Escritura, que tinham ansiedade de determinar o sentido literal, ou ainda mergulhados na alegoria apresentavam uma exegese inteligível e acessível; deixaram um legado literário bem extenso; passaram por sofrimentos que geraram em suas vidas dores e mágoas, mostrando aos demais contemporâneos as valiosas lições que podem ser aprendidas com o sofrimento e a importância de identificar-se com os que sofrem. Vejamos: “Pois nada há que una o amor tão firmemente como partilhar tanto a alegria como a dor uns dos outros. Porque você está longe das dificuldades, não fique também indiferente, sem simpatizar...” e, “... tenhamos uma alma pronta a simpatizar e um coração que saiba como sentir com outros em suas aflições...” (P.113).
Diante do supracitado (e de outras passagens do livro que não foram citadas), concluímos que:
*As nossas exegeses, teologias, academias e análises sem nutrientes, à parte da fé, pode distanciar-nos da vida da comunidade cristã,
*Carecemos das possessões (marcas) espirituais do começo do cristianismo,
* Devemos aderir ao exame das Escrituras,
*Precisamos manter o ritmo ativo e contínuo das orações,
*É necessário ter a noção de que o ensinamento de Deus é passado de pais para filhos e os princípios cristãos são transmitidos de geração em geração.
*Que o crescimento, a preservação e o aperfeiçoamento da identidade cristã, juntamente com a reverência, sacrifício e a meditação que cercaram os pais da igreja traz-nos muitos ensinamentos. E,
*Podemos viver uma teologia experimental que é a vivência (proximidade) com o tradicionalismo apostólico (onde tudo começa).

Por fim, o livro nos mostra que a nossa teologia de cada dia, segundo Gregório de Nazianzo (329-390), deve ser: “... Um tipo de adoração, um empenho santo, algo que floresce no contexto da oração, devoção e adoração...” (P.83).


Por Fernando José. 





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sábado, 30 de abril de 2016

Venha receber uma oração infalível!





Vi um vídeo numa rede social em que o narrador começou dizendo que se o ouvinte, receptor da mensagem, estivesse passando por situações difíceis, ele iria ensinar, naquele momento, uma "oração infalível"!



 -Que tipo de pessoa (cristã) ensinaria uma coisa dessas e que tipo aceitaria essa proposta insana?


-Em que nível da hierarquia das orações essa "oração infalível" se encontra?


-Que parte dessa oração enquadra-se na oração modelo, na abordagem do Mestre, em Mateus 6?


-Numa oração, independente do motivo, não se deve levar em conta, em caráter primordial, a soberania/vontade de Deus?


-Podemos classificar essa oração como individualista, humanista e imediatista?




Por Fernando José. 





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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Resenha: Eleitos, mas Livres









Eleitos, mas Livres (Título do original: Chosen but Free Editora Vida, 2005).



Em Eleitos, mas Livres, Norman Geisler traz uma visão equilibrada quanto ao exame da soberania divina em relação à vontade humana (livre-arbítrio). De início já demonstra aspectos que trazem à mente a soberania de Deus:

*Ele é “antes de todas as coisas”, principalmente antes do tempo, já que este veio com o universo,                                           

*Ele é o Criador de todas as coisas.                                               

*Ele é sustentador de todas as coisas, i.e, além de criar, ele mantém os seres vivos que vivem por Ele,

*Ele é além da criação e sobre toda criação,                                  

*Ele é conhecedor de tudo, e,

*Ele faz todas as coisas conforme o planejado.


Geisler apresenta em Eleitos, mas livres os dois lados da moeda: a soberania divina e a responsabilidade humana, e isso de forma moderada. O livro deixa, com clarividência, que Deus é responsável pelo livre-arbítrio que nos é dado, mas, não pelo que fazemos com ele. Há clareza nas linhas do livro que o homem é induzido (não forçado) a fazer o mal, pecando deliberadamente. Segundo o autor, existe diferença entre a liberdade e atos de liberdade e, os homens livres são responsáveis pelas suas escolhas.
Norman Geisler nos chama à razão quando dá a entender que “existimos antes de agir”, somos influenciados pelas ações e não controlados por elas; temos a tendência que não desculpa a ação; podemos ser até afetados, forçados, não. A nossa tendência é seguir a natureza mau, porém, com a intervenção divina muda-se a situação. Temos tendência, necessidade não! Desejamos pecar, decidimos pecar, mas, segundo Geisler, agiremos contrário ao desejo forte, pois, é possível fazer o que Deus manda. Os humanos de todas as épocas tiveram a liberdade de agir, foram livres para escolher. Nós também temos, e, através dessas escolhas, recebemos a retribuição em forma de louvor ou acusação. Transgredir, desobedecer e/ou pecar é uma questão de escolha. Geisler mostra que o ser humano não é depravado de forma total/completa, pois, a imagem de Deus em Adão foi manchada, não apagada, i.e., a imagem de Deus ainda está em nós, porém, nossas escolhas nos deixa na ignorância, que é o primeiro passo para entrarmos na depravação e, continuando nisso, permaneceremos na escravidão. Os salvos e não salvos, segundo o autor, tem livre escolha e podem crer ou não, e, crendo, escolherão, escolhendo, se responsabilizarão. Por exemplo: em resposta aos milagres de Jesus Cristo, muitos não creram Nele. O homem é responsável pelo “crer” e pelo “pecar” (pois, o responsável pelo pecado não é o autor da santidade).
Em Eleitos, mas Livres observamos que o extremismo tanto dos calvinistas como dos arminianos trabalha com balanças injustas: “... os calvinistas extremados têm sacrificado a responsabilidade humana a fim de preservar a soberania divina (...) os arminianos têm sacrificado a soberania divina a fim de sustentar o livre-arbítrio humano” (página 41). Norman Geisler vê, nas passagens bíblicas, citadas por ambas as correntes, um consenso entre a predestinação e o livre-arbítrio. Referências mostram o “trabalhar juntas” das duas vertentes: soberania divina e responsabilidade humana estão emparelhadas nas Escrituras Sagradas, em um mesmo contexto.
De uma forma moderada Geisler responde a certas perguntas: a salvação depende da fé? Qual a condição do recebedor da salvação? Qual a diferença entre escolha e eleição? A revelação divina é para todos ou somente para alguns? Judas era um eleito ou um traidor? Judas foi um escolhido, mas, segundo o autor, não foi um eleito, pois, escolha não é eleição (a eleição é com base na crença em Jesus Cristo pelo Espírito Santo). Existe relevante diferença (e é de comum acordo) entre “estar na Igreja” e “pertencer a Igreja”. Todos podem chegar ao conhecimento da verdade, pois a expiação se aplica a uns, mas, sua extensão é para todos; se aplica aos salvos, mas sua proporção é para todos.
Para Geisler “... a graça é somente irresistível ao que está desejoso dela, não ao relutante...” e, “Deus derrama a graça salvadora irresistível somente sobre os que a desejam, não nos relutantes.” (página 104).
Existe predestinação para a condenação? Geisler mostra que Deus não “... predestina certas pessoas para o inferno, à parte da própria livre-escolha delas” (página 106), pois, Deus espera vasos de ira para o arrependimento. Tendo em vista que a condição para se receber a salvação é o arrependimento, “o coração não arrependido pode resistir à vontade de Deus nesse sentido.” (página 110). A doação (de Deus) é incondicional, a recepção, condicional.
Para finalizar, Geisler deixa evidente que “a Bíblia é um livro equilibrado. Ela afirma tanto a soberania de Deus... quanto a livre-escolha do ser humano” e, “que não há contradição alguma na cooperação entre a soberania de Deus e o livre-arbítrio. Podemos estar certo de que 1) Deus está no controle e que 2) recebemos a capacidade de escolher. Somos verdadeiramente eleitos, mas livres.” (página 168).
                                                                                

Por Fernando José. 




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terça-feira, 1 de março de 2016

Resenha: Hermenêutica Contemporânea à luz da Igreja Primitiva








Hermenêutica Contemporânea à luz da Igreja Primitiva (Título original: Biblical Interpretation then and now) de David S. Dockery - Editora Vida: 2005.



Hermenêutica Contemporânea à luz da Igreja Primitiva, de antemão, deixa claro que a interpretação cristã, que sempre visou promover o avanço e a defesa da fé cristã, recebeu um legado referente às abordagens dos escritos judaicos tanto quanto dos escritos e pensamentos greco-romanos.
Na igreja primitiva, segundo o autor, havia uma participação inevitável das Escrituras judaicas (essa era a Bíblia que Jesus e os apóstolos liam), de modo que, o Mestre interpretou-a com “algo novo” - seu método era inigualável, sua mensagem cheia autoridade e poder. Ao interpretar, o Cristo se via na história, nas experiências e nas promessas de Israel, i.e, o Cristo com uma abordagem cristocêntrica, compreendendo que sua incumbência era a plena realização das Escrituras.
Segundo David S. Dockery,  no decorrer da igreja primitiva, as Escrituras foram interpretadas: (1) de forma literal, (2) de forma que a aplicação trouxesse algo para o agora, colocando em relevo aquilo que tem importância no momento, ou ainda, (3) de forma que ligasse os crentes/ouvintes a um futuro mais adiante. Todas essas formas tinham, também, um alvo: os descrentes, trazendo, para estes, a mensagem de forma que viessem recebê-la, reconhecendo o Senhor, firmando um compromisso de fidelidade com Ele.
No caminho das abordagens da interpretação primitiva, encontramos o Lucas, que traz em seus escritos história e apologia baseados no Antigo Testamento.
Mais adiante, encontramos o apóstolo Paulo que deixa um legado para os atuais e futuros crentes: as suas Epístolas. Epístolas baseadas no Antigo Testamento, que era a sua coleção de livros. Paulo deixou clarividente que a obra veterotestamentária deveria ser entendida com base e a partir de Cristo: as Escrituras falam de Jesus, Jesus é o cumprimento das Escrituras. O apóstolo usou da herança midráshica, das ilustrações e das comparações, mostrando muitas vezes, que, um acontecimento bíblico podia ser uma situação do momento e, ao mesmo tempo, uma instrução divina para os ouvintes, ficando evidente, desse jeito, uma abordagem diferente da contida nos Evangelhos.
Em resumo a Igreja Primitiva usava a hermenêutica judaica, porém, com o foco em Cristo.
Chegando ao segundo século da Era Cristã nos deparamos com a guerra: Heréticos versus Apologéticos. De um lado, os considerados apóstatas, recriadores dos escritos neotestamentários (a seu bel-prazer), ativistas de movimentos fenomenais religiosos que ameaçavam os ensinos acerca da criação, da salvação e da cristologia. Do outro lado, líderes com ensinos tradicionais, preocupados com a moral e a ética, treinados na retórica helenística, que usavam métodos rabínicos aliados à sabedoria grega.
Vemos também em Hermenêutica Contemporânea à Luz da Igreja Primitiva o modo de interpretar da Escola Alexandrina: compreendiam que nas Escrituras havia, de forma mais profunda e elevada do que no sentido literal, algo místico, além que mostrar aquilo em que se deveria acreditar. Eles acreditavam que, referente ao conhecimento de Deus, deveriam fazer o que era necessário, de forma a reverenciá-Lo sem deixar de tirar proveito da cultura secular (um tipo de sincretismo). Desbravavam o sentido literal da Escritura a fim interpretá-la de maneira espiritual, encontrando o significado mais profundo no texto. Entendiam que, estudando a Bíblia no sentido literal podiam passar para o significado do sentido alegórico. Os alexandrinos preservavam o sentido literal no que se refere à parte moral das Escrituras, aceitando os ensinamentos mosaicos. A capacidade alegórica de interpretar era, para essa escola, um sinal de inteligência e espiritualidade. Buscavam o significado cristocêntrico, que era para eles, o mais profundo, de forma que Cristo era considerado o âmago da história e o instrumento para entender o Antigo Testamento, Aquele que se tornou superior às leis e rituais do Antigo Pacto de forma que, a partir daí, o sentido literal dava espaço para a abordagem alegórica. Todos os acontecimentos, todas as pessoas e todas as normas do Antigo Testamento refletiam Cristo ou a sua Igreja (que é o seu Corpo), e o método alegórico revelava isso, de forma que deveriam buscar o significado para avançar Nele. O objetivo alexandrino era buscar, dentro das Escrituras, aquilo que era necessário à regra de fé, a exemplo das doutrinas referente à Trindade.
Também fica expresso o modo de interpretar da Escola Antioquena: o sentido gramatical e literal que, segundo eles, tinha importância, era verdadeiro, mostrava a realidade histórica, tinha um papel fundamental no entendimento da igreja, trazendo edificação para os simples e apologia para os estudantes. Foram influenciados pelo pensamento de Aristóteles, pela exegese tipológica e pela interpretação histórica. Utilizavam, de forma séria, a literalidade, a historicidade e a tipologia. Os escritos antioquenos eram contra o misticismo e fábulas, fazendo uma análise histórico-cristocêntrica tendo a percepção da divindade de Cristo e de seu reinado para sempre. Para eles, o papel dos profetas na história de Israel era, além do sentido imediato, também cristocêntrico, i. e., anunciavam a vinda do Cristo. Comunicar o ensino exposto no Evangelho era a tarefa dos intérpretes antioquenos. Havia também, na escola antioquena, (1) aqueles que comentavam alguns trechos/ passagens bíblicas de forma terrena, estando com os olhos fechados quanto ao seu conteúdo espiritual, (2) aqueles que rejeitavam parte da literatura do Antigo Testamento, (3) os que aderiam à firmeza (pés no chão) de Aristóteles e (4) a espiritualidade (andar nas nuvens) de Platão. Os antioquenos buscavam a explicação que a Escritura faz de si mesma de forma que as interpretações não deveriam receber significados diferentes do circuito do texto, considerando como fantasiosa a hermenêutica dos alexandrinos.
Em resumo, havia uma oposição entre os antioquenos (os que enfatizavam a literalidade e a historicidade do texto bíblico) e os alexandrinos (aqueles que traziam, também, um significado espiritual e significativo).
A fase seguinte (composta principalmente por Jerônimo, Agostinho, Teodoreto de Ciro, etc.) traz uma forma de interpretação eclética (sentido literal, sentido alegórico, mas sempre voltado ao teológico). Apesar dos embates, aqui, o objetivo são os seguintes: (1) enfatizar (aumentar) o amor “em forma de cruz” (isto é, verticalmente para Deus, horizontalmente, para com os outros), (2) pôr a vida cristã em ordem. (3) explicar, para a maioria das pessoas, as palavras que consideravam difíceis, (4) enfatizar sobre a providência de Deus, (5) falar sobre Cristo e a sua salvação (seus benefícios produzidos para a Igreja), e, finalmente, (6) a edificação dos crentes que estavam sob a liderança daqueles que exerciam a exegese.
Diante de tudo isso, David S. Dockery indica que para vivenciar a hermenêutica contemporânea é necessário entendermos o desenvolvimento dos modelos hermenêuticos dos séculos passados, tendo a Escritura como um presente de Deus para Israel e para os demais povos, Escritura essa que ensina sobre a missão da Igreja e, no geral, sobre a vida. Devemos, portanto levar em conta que como os antepassados (apóstolos, apologistas, alexandrinos, antioquenos, canônicos, etc.) tiveram sua base nas Escrituras para encontrarem o sentido/ significado (seja literal, tipológico, alegórico, histórico...) da vida cristã em curso, assim também nós, nos tempos hodiernos, buscaremos (em Cristo) o conhecimento, para que possamos entender (não perdendo de vista o cristianismo primitivo) o significado presente (que também se prolonga para o futuro) das Escrituras.



Por Fernando José. 





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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Resenha: A cruz de Cristo





A cruz de Cristo (Título original: The Cross of Christ.) de John Stott  (Editora Vida, 2006).

A cruz de Cristo deixa claro, já de início, que a cruz é o centro da fé evangélica, i.e., os principais personagens da história bíblica, os sacrifícios, as ofertas, os rituais, enfim, os elementos do passado (A.T.) encontram seu desenvolvimento/cumprimento nesse ponto principal, enquanto aquilo que há de vir .
Stott presta tributos a escritores dos séculos XIX E XX que, em acordo com as Escrituras, exporam em sua literatura pensamentos e ensino sobre a cruz, reconhecendo os esforços destes como “notáveis valores neste campo”.
Para John Stott a cruz é viva, ao mesmo tempo em que transforma e incentiva. Ela falou algo para a História (passado) e diz ainda para os tempos hodiernos, por isso, precisamos compreendê-la a fim de interpretar suas palavras. Pela cruz, a tradição e a modernidade se encontram em enxame e contemplação das Escrituras.
A cruz de Cristo mostra pessoas que, por não compreenderem o sentido da cruz, ridicularizam, com palavras ofensivas, expressando comentários negativos e explicações que levam a rejeição, enquanto outras se entregaram a crença da cruz e mudaram suas vidas, suas pregações...
Também mostra que a cruz está entre a morte e a ressurreição,  entre o sofrimento e a glória do Senhor, o Messias. Através dela (a cruz) Cristo vê sinônimo de sofrimento e morte, mas, também, contempla o que deriva dela: ressurreição e um Nome que é sobre todo o nome! A fé, a glória e o verdadeiro teor (essência) das Escrituras surgem da cruz.
Segundo Stott, a mensagem da cruz é apresentada a todos, só que, com tratamentos diferentes: para os judeus, “israelitas”, de quem são “os patriarcas” (Rm 9.4) é apresentado o Deus do Pacto; para os demais (gentios), é necessário conhecer o “Deus que fez o mundo e tudo que nele há”, “Senhor dos céus e da terra” (Atos 17.24).

Em A Cruz de Cristo vemos a loucura da cruz da seguinte forma:
Tendo em mente que a cruz (restauração, adoção) origina-se da mente do Mestre, os cristãos de todos os tempos, mesmo em meio ao desdém, ultraje e rejeição,  não deixam - com recusa e insistência - que a cruz seja locomovida para fora de suas vidas e de suas mensagens.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Escatologia: um tour pela definição





É mister lembrar que o estudo da escatologia não nos levará a desvendar todos os mistérios, épocas e tempos estabelecidos por Deus. Deus nos dará compreensão apenas às coisas que nos foram reveladas...



1.     INTRODUÇÃO

Falar de Escatologia é falar da economia divina em relação aos "fins dos séculos", ao mesmo tempo em que traz ânimo e esperança para o Seu povo diante da "última hora". A última hora – antes do Dia do Senhor - em que a Igreja anuncia as boas novas, até o fim, até o Dia de Deus (porta de entrada para o dia da vingança de Deus). Em Escatologia abordamos os seguintes assuntos: a Morte, o Estado intermediário, o Sono da alma, o Purgatório, a Segunda vinda, a Ressurreição, o Julgamento final.



2.     O QUE É ESCATOLOGIA?


A palavra escatologia é formada de duas palavras gregas: escato (eschatos = último, fim) e logo (lógos = palavra, discussão, instrução, ensino, assunto, tema). Portanto escatologia é o estudo do fim ou o estudo das últimas coisas, ou ainda o estudo dos últimos dias.



ESCATOLOGIA. Estudo das últimas coisas ou do futuro de modo geral.
ESCATOLOGIA COLETIVA. Eventos escatológicos envolvendo o universo como um todo ou toda a raça humana.
ESCATOLOGIA CONSISTENTE. Visão de Albert Schweitzer e outros segundo a qual as ações e os ensinamentos de Jesus eram fundamentalmente escatológicos.
ESCATOLOGIA CÓSMICA. Estudo sobre como as últimas coisas afetam conjuntamente a raça humana ou a criação.
ESCATOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO. Ensinamento do Antigo Testamento sobre as últimas coisas.
 ESCATOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO. Ensinamento do Novo Testamento sobre as últimas coisas.
ESCATOLOGIA INDIVIDUAL. Estudo dos eventos futuros com respeito aos indivíduos; em particular, estudo de sua morte, estado intermediário e ressurreição.
ESCATOLOGIA REALIZADA. Visão de Charles Harold Dodd e outros segundo a qual as passagens escatológicas da Bíblia não se referem ao futuro, mas a assuntos que ocorreram e se cumpriram no período bíblico, e especialmente durante a vida e o ministério de Jesus.
Fonte: Millard J. Erickson - Dicionário Popular de Teologia (1. ed. rev. - São Paulo: Mundo Cristão, 2011).



A escatologia trata das questões do fim, ou o propósito da vida, e as finalidades do plano de Deus. A questão do futuro da raça humana, da criação, e de cada pessoa é o seu tema. A escatologia tem um lugar importante na construção de uma teleologia cristã. Vários assuntos, tais como a ressurreição, vida depois da morte, céu e inferno, e a volta de Cristo fazem parte desta área de estudo. Podemos definir a escatologia como o estudo das últimas coisas. O estudo da escatologia é dividido em duas partes. Primeiro, é o estudo da escatologia individual ou pessoal, ou seja, o destino eterno dos seres humanos e dos anjos. Isso inclui a morte, o estado intermediário, a ressurreição, o juízo final e inferno e céu. Segundo, é a escatologia geral ou cósmica, que inclui a volta de Cristo, o milênio, e a nova terra e o novo céu.
Fonte: Teologia Sistemática (Alan Myatt & Franklin Ferreira)



Escatologia, tradicionalmente, é o estudo das últimas coisas. Por conseguinte, vem lidando com questões ligadas à consumação da história, à complementação da obra de Deus no mundo. Em muitos casos, também tem sido a última coisa no estudo da teologia, o último tópico considerado, o último capítulo nos livros didáticos.
Fonte: Introdução à Teologia Sistemática (Parte Doze. As Últimas Coisas) - Millard J. Erickson



3.     O ESTUDO DA ESCATOLOGIA

Gutierres Fernandes Siqueira deixa-nos exortações quanto ao estudo da Escatologia:
 1. Não sacralize uma escola escatológica. Embora cada crente tenha o direito e até o dever de defender sua perspectiva escatológica, é necessário cuidado com o sectarismo. O excesso de dogmatismo na escatologia é perigoso justamente porque estamos a tratar sobre o futuro do mundo e, ao mesmo tempo, estamos a lidar com textos de difícil interpretação- os chamados escritos apocalípticos. É comum, especialmente no meio assembleiano dispensacionalista, insinuar que algumas bandeiras amilenistas sejam “heréticas”. Ora, as diferenças das principais escolas de escatologia protestante não devem ser tratadas como pontos essenciais da fé cristã, mas como campos onde é possível cultivar a diversidade e respeitar a diferença.
2. Cuidado com as versões populares da escatologia. O dispensacionalismo sofre em demasia com versões populares de sua teologia, especialmente propagada por pregadores de massa e livros de ficção da série Deixados Para Trás ou do mais recente filme O Apocalipse estrelado pelo ator Nicolas Cage (as pessoas esquecem que estão lidando com uma ficção e não um tratado teológico). É necessário cuidado, pois nem sempre essas versões honram os estudos mais sérios e cuidadosos de especialistas da escatologia pré-milenista.
 3. Escatologia não é “conhecimento secreto”. Escatologia não é um assunto fácil ou trivial, mas não pode ser tratado como uma espécie de gnosticismo futurista, onde apenas alguns iluminados conseguem entender o emaranhado de estratagemas. Não podemos perder a simplicidade do Credo quando diz que “Cristo voltará”.




4.     VISÕES ESCATOLÓGICAS (credos e confissões)

O CREDO NICENO
... E subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. (...) e aguardo a ressurreição dos mortos e da vida do mundo vindouro.

O CREDO DE ATANÁSIO: Artigos 37-40
37. Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos.
38. Em cuja vinda, todo homem ressuscitará com seus corpos, e prestarão conta de suas obras.
39. E aqueles que houverem feito o bem irão para a vida eterna; aqueles que houverem feito o mal, para o fogo eterno.
 40. Esta é a fé Universal, a qual a não ser que um homem creia firmemente nela, não pode ser salvo.

CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER: XXXII - 3
A escatologia da CFW (consequentemente a da Igreja, que a adota como parâmetro de interpretação das Escrituras ) estabelece o princípio de “um dia” para a volta de Cristo, a ressurreição geral de eleitos e rejeitados, o juízo final, quando os servos de Deus serão “declarados justos” em Cristo Jesus e introduzidos no reino do Cordeiro como súditos privilegiados, onde viverão em gozo eterno. Neste mesmo dia, os injustos humanos e os anjos rebelados, juntamente com o líder satânico da rebeldia contra Deus e seus comandados, receberão a sentença de condenação eterna, sendo lançados na Geena para os padecimentos infindos (cf. Ap 20. 10, 12-15; Mt 25. 41,46 ).

CREDO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS: Artigos 11-14.
11) Na Segunda Vinda pré-milenial de Cristo, em duas fases distintas. Primeira – invisível ao mundo, para arrebatar a sua Igreja fiel da terra, antes da Grande Tribulação; segunda – visível e corporal, com sua Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo durante mil anos (1Ts 4.16. 17; 1Co 15.51-54; Ap 20.4; Zc 14.5 e Jd 14).12) Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo, para receber recompensa dos seus feitos em favor da causa de Cristo na terra (2Co 5.10).
13) No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis (Ap 20.11-15).
14) E na vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis e de tristeza e tormento para os infiéis (Mt 25.46).



TEXTO COMPLEMENTAR 1
Paulo diz a Timóteo na segunda carta que a ele escreveu que nos “últimos dias” os homens seriam sociopatas, cada vez em maior escala de sociopatia... Ora, o que Paulo chama de o homem do fim é um ser em estado de sociopatia, pois, diz ele: serão egoístas, arrogantes, avarentos, enfatuados, arrogantes, irreverentes, implacáveis, desafeiçoados, sem afeição natural, sem domínio de si mesmos, antes amigos dos prazeres e dos caprichos pessoais do que amigos de Deus e do próximo; e isto tudo enquanto se manteriam com cara de piedade e religiosos, embora negassem Deus e Seu poder [...] pelo modo como se comportariam — ou seja: possuídos de sórdida ganância, fazendo comercio da fé e da boa e simples vontade dos homens, enquanto seriam extremamente sedutores, ao ponto de fazerem cativas deles mulheres carentes, e, portanto, vivendo sob o domínio das paixões da alma em descontrole e pânico de não haver amor na vida... Ora, isto tudo Paulo diz que aconteceria dentro do grupo chamado igreja; sendo, portanto, uma advertência aos cristãos, aos discípulos; posto que Paulo tivesse certeza [dada a ele pelo Espírito Santo] que nos “últimos dias” as coisas seriam assim entre “os irmanos”... A mim parece que faltam vários sinais a se cumprirem no mundo antes da volta do Senhor! Todavia, se há um sinal que já não necessita de maiores cumprimentos é esse que revela o estado sociopata dos cristãos e do que eles convencionaram continuar a chamar “igreja” [...] — quando a recomendação de Paulo é simples: “Foge também destes!”...
Caio Fábio.
Disponível em http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=05619 - Acessado em 28/12/2015.



TEXTO COMPLEMENTAR 2
Estamos vivendo os últimos dias. Esse período de tempo que a Bíblia chama de últimos dias, recebe ainda outras designações, tais como:
 "tempo aceitável... dia da salvação"(Is.49:8)
 "ano aceitável do Senhor"(Is.61:2a)
 "dispensação da plenitude dos tempos"(Ef.1:10)
 "dispensação da graça"(Ef.3:2)
 "dispensação do mistério"(Ef.3:9)
 "tempo da oportunidade", "tempo sobremodo oportuno", "dia da salvação"(IICo.6:2)
 "tempos oportunos" (IITm.2:6)
 "tempos devidos" (Tt.1:3)
 "hoje" (Hb.3:7,15;4:7,8)
 "fins dos séculos" (ICo.10:11)
 "última hora" (IJo.2:18).




Por Fernando José.



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