sábado, 15 de novembro de 2014

LIÇÃO 7: INTEGRIDADE EM TEMPOS DE CRISE (Auxílio - Jovens e Adultos: CPAD, 4º Trimestre de 2014 - por Fernando José)




Na história relatada no capítulo 6 (seis) do Livro de Daniel vemos qualidades na vida dos personagens que são salientes:

Dario, simpático e empático quanto a Daniel – vv. 2-3, 14, 16, 18-20, 23.
Daniel, fiel – vv. 4, 22. (ver v.23: “... porque crera no seu Deus”).
Presidentes e Príncipes, aversos e invejosos – vv. 4-8, 11-13, 15.

Doravante, constatamos:

O agir de Deus - v. 22.
A recompensa dos injustos e invejosos – v. 24.
Louvor diante das maravilhas operadas pelo Deus de Daniel – vv. 25-27.


É bom esclarecermos que a fidelidade de Daniel relatada no v. 4, não está relacionada à ‘fidelidade’ hodierna pregada no meio evangelical.  A nossa fidelidade está baseada em fidelidade nos dízimos e ofertas, ter poder aquisitivo, ter bens, empregados, dar mil para ganhar 100 mil e blá-blá-blá... A fidelidade do estadista está baseada em não ter nele erro e culpa e, crer no seu Deus. Crença é sinônimo de confiança, otimismo, obediência, consideração, discipulado! Se esses sinônimos não forem uma constante em nossas vidas de nada adiantarão os dízimos, os trízimos e o dízimo dos dízimos... O cuidado de Deus para com os seus e a nossa responsabilidade diante desse Deus vão além das falácias proclamadas em nossos púlpitos. As nossas contribuições não são moeda de troca. O verdadeiro crente é fiel no cotidiano e contribuinte por natureza, sem necessidade de indução, parafernálias e engano sutil.


Flavio Josefo registra a afeição de Dario em relação a Daniel:
Dario, filho de Astíages, ao qual os gregos dão outro nome, tinha sessenta e dois anos quando, com o auxílio de Ciro, seu parente, destruiu o império da Babilônia. Levou consigo para a Média o profeta Daniel e, para mostrar até que ponto o estimava, nomeou-o um dos três governadores supremos, cujo poder se estendia sobre outros trezentos e sessenta, pois o considerava um homem todo divino e só se aconselhava com ele nos assuntos mais importantes.

Assim como a inveja dos políticos da época:

Os outros ministros, como geralmente acontece na corte dos reis, não podendo tolerar que ele fosse tão preferido, sentiram tal inveja que tudo fizeram para encontrar um motivo de caluniá-lo. Mas isso lhes foi impossível, porque a virtude de Daniel era tão grande e as suas mãos tão puras que ele julgava que seriam manchadas se recebessem presentes e considerava coisa vergonhosa desejar recompensa pelo bem que se faz. Eles, porém, não se arrependeram nem desistiram. E, faltando-lhes outros meios, imaginaram um pelo qual, pensaram, poderiam destruí-lo.

E, consequentemente o castigo dos mesmos:

Os inimigos de Daniel, em vez de reconhecerem que Deus o salvara por um milagre, disseram ousadamente ao rei que aquilo acontecera porque antes se dera demasiado alimento aos leões, os quais, não tendo mais fome, não o quiseram devorar. O rei ofendeu-se com a malícia deles e ordenou que se desse grande quantidade de carne aos leões e que depois de eles estarem fartos fossem atirados à cova os acusadores de Daniel, para ver se os animais os poupariam, como diziam haverem poupado Daniel. A ordem foi imediatamente executada, e ninguém mais pôde duvidar de que Deus salvara Daniel, porque os leões devoraram os caluniadores com tanta avidez que pareciam os mais esfomeados do mundo. Minha opinião, porém, é que foi o crime desses malvados, e não a fome, o que irritou os leões contra eles, porque Deus quis que esses animais irracionais fossem ministros de sua justiça e de sua vingança.



Por Fernando José.





Textos complementares 1

Todavia o capítulo 6 é, por muitos, impugnado quanto à presença de Dario como reinante em Babilônia. Não poucos o identificam com Cambises, Astíages e outros, que sucederam a Ciro, isto porque a história não registra o seu nome. Não havia historiadores meticulosos naqueles dias como há hoje, e para nós o relato de Daniel basta, pois é um relato de Daniel basta, pois é um relato natural de uma testemunha presente e que nesse reino voltou a gozar dos favores que gozara nos dias de Nabucodonosor.
(...)
Efetivamente também sentimos certa dificuldade em entender o capitulo 6, em que Dario é a principal figura, nada se dizendo de Ciro, mas explicação dada antes talvez sirva para esclarecer o problema. Não padece dúvida que o rei principal era Ciro, ou pelo menos assim parece, porque foi ele que acabou com o regime da escravidão instaurado por Nabucodonosor. Mas, reconhecendo a dificuldade dos cronistas antigos, temos de suprir muita coisa que nos falta. Cremos que, para o presente caso, estas explicações bastam. Por amor da elucidação deste texto difícil, quanto à história de Babilônia, diremos que alguns admitem ter havido dois reinos: um persa e outro medo. A história não nos autoriza esta conclusão. A história toda, desde a derrota da Assíria, é que dois Estados se uniram para destruir o resto do antigo Império Assírio, de que Babilônia foi por muito tempo uma Parte. No capítulo 6:8, medos e persas aparecem juntos, pelo que seria uma tentativa inútil forçar a história a contar-nos de dois reinos independentes. Este período da história de Babilônia, como, aliás, toda ela, é muito obscuro. Por isso alguns comentadores admitem que Babilônia foi dividida em dois reinos, um medo e outro persa, visto como, segundo Daniel, o reino foi entregue a Dario, o Medo. Neste mesmo contexto aparecem os dois, o medo e o persa, como uma só entidade (6:8).

MESQUITA, Antonio Neves - Estudos no livro de Daniel (Rio de Janeiro, novembro de 1975).



Textos complementares 2

 A Oração de Daniel. 6:10, 11. A reputação de Daniel diante do próprio Deus nos céus tornou suas orações dignas de atenção e imitação (cons. Ez. 14:14; Dn. 10:11). A sublimidade de sua corajosa fé está reconhecida por todos os que procuram se colocar dentro da situação. Ele manteve seus hábitos piedosos e suas crenças – como costumava fazer - diante de um transe absolutamente insuportável – quando soube que a escritura estava assinada. 10. Quando soube. A oração, em primeiro lugar, foi corajosa (cons. Hus at Constance, d.C. 1415). Entrou em sua casa ... e orava. Em segundo lugar, ela era verdadeiramente piedosa, sem exibição do heroísmo em público. Não houve ostentação de religião. Daniel só fez o que achou que era certo (cons. Tg, 1: 27; Mt, 6: 5 e segs.). Em terceiro lugar, foi uma oração de acordo com as Escrituras. 

Comentário Bíblico Moody



Referências:
Lições Bíblicas CPAD - 4° Trimestre de 2014: Integridade Moral e Espiritual — O legado do livro de Daniel para a Igreja hoje.
Comentário Bíblico Moody.
JOSEFO, Flavio. HISTÓRIA dos HEBREUS - De Abraão à queda de Jerusalém. 8ª edição, CPAD - Rio de Janeiro, RJ: 2004.
MESQUITA, Antonio Neves - Estudos no livro de Daniel (Rio de Janeiro, novembro de 1975).



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