quarta-feira, 29 de outubro de 2014

LIÇÃO 5: DEUS ABOMINA A SOBERBA (Auxílio - Jovens e Adultos: CPAD, 4º Trimestre de 2014 - por Fernando José)



Em Daniel 4 vemos um príncipe que na sua coorte, estava em sossego e prosperidade, pois, havia adquirido sucesso nas suas guerras e construções. Em meio a essa glória real e resplendor, surge o espanto, a turbação e a frustração consequentes de um sonho que, em primeira mão, não foi interpretado pelos magos. O espanto e a frustração dão lugar ao apelo ao Profeta Daniel que, por meio do “espírito dos deuses santos”, interpretou o sonho diante do rei. O Comentário Bíblico Moody assim deixa exposto o capítulo 4 do Livro de Daniel:

Começando com uma pequena saudação (vs. 1-3), seguida das palavras do próprio rei sobre as circunstâncias na cone (vv. 4-9), ele apresenta a narrativa de um sonho (vs. 10-18), que Daniel interpretou (vv. 19-27), e que se cumpriu nas experiências humilhantes de Nabucodonosor (vv. 28-33), seguidas de maneira feliz pela recuperação e restauração do rei (vv. 34-37).

Sobre Nabucodonosor, Flavio Josefo narrou, escrevendo de acordo com o que encontrava no Livro dos Hebreus, sem diminuir e sem aumentar:

“Era um príncipe muito inteligente e foi muito mais feliz que os seus predecessores.”

Josefo, prossegue ainda falando sobre o príncipe, citando Berose:

Nabopolassar, pai daquele de quem acabamos de falar, tendo sabido que os governadores que ele pusera no Egito, na Baixa Síria e na Fenícia se haviam revoltado contra ele e não estando mais na idade de suportar as dificuldades de uma guerra contra eles, enviou Nabucodonosor, seu filho, com uma parte de suas forças. O jovem príncipe venceu os rebeldes, recolocou todas as províncias sob a obediência do rei seu pai e, tendo sabido que naquele mesmo tempo este morrera na Babilônia, após reinar vinte e um anos, passou a dirigir os destinos do Egito e das outras províncias. Deixou aos oficiais em quem mais confiava o encargo de levar o seu exército para a Babilônia com os escravos judeus, sírios, fenícios e egípcios. Acompanhado por alguns poucos, passou pelo deserto e marchou rapidamente. Depois de chegar, governou o império que fora administrado na sua ausência pelos magos caldeus, dos quais o principal e de maior autoridade nada levara tanto a peito para conservar-lhe o trono. E assim, ele sucedeu em todo o reino ao rei seu pai. Uma das primeiras coisas que fez foi distribuir em colônias os escravos recém-chegados. Consagrou no templo de Bel, seu deus, e em outros templos os ricos despojos que havia conquistado. Não se contentou em restaurar os antigos edifícios de Babilônia: aumentou também a cidade e fortificou o canal. Para impedir que a atacassem e a pudessem tomar depois de atravessar o rio, mandou fazer outro dentro. E fora, ergueu uma tríplice muralha, muito alta, de tijolos refratários. Fortificou também todas as outras partes da cidade. Fez portas monumentais e construiu um novo palácio perto do que fora do falecido rei seu pai, do qual seria inútil referir a beleza e a magnificência. Não poderia mesmo eu dizer que esse soberbo edifício foi construído em quinze dias. E, como a rainha, sua mulher, que fora educada na Média, desejava ver alguma semelhança com o seu país, mandou fazer, para lhe ser agradável, arcos por cima desse palácio, com grandes pedras que pareciam montes. Mandou cobrir esses arcos com terra e plantou sobre eles uma tal quantidade de árvores de todas as espécies que esse jardim, suspenso no ar, passou a ser uma das maravilhas do mundo.

JOSEFO, Flavio. HISTÓRIA dos HEBREUS - De Abraão à queda de Jerusalém. 8ª edição, CPAD - Rio de Janeiro, RJ: 2004.

Vemos Mesquita descrevendo a influência do governo de Nabucodonosor:

Pela primeira vez na história um homem tinha Governado sobre tantos povos, de línguas e costumes diferentes, pois todos os antigos povos da Média e Pérsia estavam agora englobados debaixo do governo universal de um só homem. Estamos longe de imaginar a influência deste governo, sobre todos os povos, mediante a presença dos cativos de Israel.

Antonio Neves Mesquita - Estudos no livro de Daniel (Rio de Janeiro, novembro de 1975).

Sobre a entrada de Daniel no cenário e a interpretação do sonho do rei, temos ainda as palavras de Mesquita:

Demonstrada a futilidade daquela ciência caldaica, entra Daniel, em quem o rei reconhecia a existência do espírito dos deuses santos... Daniel, desta vez, não pediu prazo para interpretar o sonho, estranho como era. Por quê? Já estaria habilitado por Deus para esta tarefa? É o que parece, pois Daniel não titubeou na interpretação, mas ficou perplexo quanto ao conteúdo do sonho (v. 19). Era nada mais nada menos do que a ruína e destruição temporária do rei, e isso o afligia, pois, pessoalmente, era bem tratado e muito respeitado no palácio. Admite-se que Nabucodonosor logo teria reconhecido mais ou menos que se tratava de sua pessoa, por isso que ficou tão atrapalhado.

Antonio Neves Mesquita - Estudos no livro de Daniel (Rio de Janeiro, novembro de 1975).

A interpretação dos vv. 14-17, deixa Daniel atônito, pois se tratava de uma sentença pra o seu rei, que era orgulhoso e vaidoso:
Então Daniel, cujo nome era Beltessazar, esteve atônito por uma hora, e os seus pensamentos o turbavam; (Daniel 4.19).
Esta é a interpretação, ó rei; e este é o decreto do Altíssimo, que virá sobre o rei, meu senhor: Serás tirado dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e te farão comer erva como os bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti; até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer. E quanto ao que foi falado, que deixassem o tronco com as raízes da árvore, o teu reino voltará para ti, depois que tiveres conhecido que o céu reina. (Daniel 4.24-26)

Daniel teve que dizer coisas duras ao seu rei, objetivando arrependimento, pureza:

Portanto, ó rei, aceita o meu conselho, e põe fim aos teus pecados, praticando a justiça, e às tuas iniquidades, usando de misericórdia com os pobres, pois, talvez se prolongue a tua tranquilidade. Daniel 4.27

Os vv. 28-33 descrevem as "coisas vieram sobre o rei Nabucodonosor" com referência ao sonho e à sua interpretação. Vejamos a exposição de alguns comentaristas sobre o incidente:

Houve um misericordioso "prolongamento de sua tranquilidade" (v. 27)... Escritores antigos contam, e a arqueologia confirma, que Nabucodonosor, além de remodelar e ampliar os antigos edifícios da Babilônia, levantou seus próprios projetos de magníficas construções. Uma grande rua que ele reconstruiu para desfiles estendia-se diante dele, como também muitos templos e quilômetros de muros. "Agora, neste palácio, tendo construído grandiosas estruturas de pedra e tendo plantado sobre elas todos os tipos de árvores, dando-lhes um aspecto muito parecido com o de montanhas, ele elaborou e preparou os famosos Jardins Suspensos, para agradar à sua esposa, que gostava das terras montanhosas, porque fora criada na Média" (Josefos Against Apion 1,19).
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A última experiência consciente e lúcida do rei voltou sua atenção para Deus no céu.
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Considerando que os antigos geralmente consideravam as pessoas loucas como "possuídas" por um deus, o rei talvez fosse mantido em um parque recebendo tratamento especial. Exemplos das alterações físicas do rei existiram na antiguidade...

Comentário Bíblico Moody


Ao cabo de doze meses, passeando sobre o Palácio real de Babilônia, falou o rei, e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder...? (w. 29 e 30). Nem acabou de falar e uma voz de cima disse que tudo terminara. Realmente, Babilônia, segundo nos informam os escritores antigos era mesmo um deslumbramento. O rio Eufrates passava pelo meio da cidade, uma espécie de Capiberibe que passa pelo centro da cidade de Recife, com jardins suspensos, onde as damas, ao cair da tarde, iam passear. Para aqueles dias era de fato uma grande Babilônia, mas o pecado do rei, como o de muitos homens, foi o de atribuir tudo ao seu poder, e nada ao poder de Deus. A lição fica para a história. A cidade era circundada por muralhas de dez metros de espessura a 15 metros de altura, de modo que não havia possibilidade de ser atacada e vencida. Não sabemos muito dos exércitos de Babilônia, mas achamos que não eram necessários, porque a cidade estava segura e o império estava em paz, e também não havia no horizonte qualquer inimigo potencial. O grande Império da Assíria tinha desaparecido e os pequenos Estados da Média e da Pérsia não estavam organizados de modo a estarem em condições de tentar tomar a cidade. Se, em lugar de se louvar, o rei tivesse dado graças ao Altíssimo, que ele já conhecia, então a sentença talvez não viesse. Naquela mesma hora foi Nabucodonosor lançado fora do palácio, pois tinha virado um bruto, e o seu lugar era entre os brutos. Comia erva como boi e os seus cabelos cresceram como as penas das águias. Suas unhas eram como as das aves.
...
A doença de Nabucodonosor, que não consta como tal nas crônicas oficiais e nem poderia constar, também não é relatada por qualquer dos poucos escritores daqueles dias, tais como Heródoto ou Berosius. Isto tem servido para alguns tentarem desacreditar a autenticidade de Daniel. Ora, estes escritores, caso o assunto tivesse chegado ao seu conhecimento, teriam outros motivos a que darem atenção, e não meramente a uma doença, que nem teria saído das crônicas do palácio.

Antonio Neves Mesquita - Estudos no livro de Daniel (Rio de Janeiro, novembro de 1975).


... Os operários que trabalharam nesse projeto poderiam ser desculpados, contudo, por encararem com algum cinismo a pretensão do rei de ele ter construído acidade, e a opressão que isso envolveu certamente não ajudou a aumentar a glória de sua majestade.

Daniel - Introdução e Comentário - Joyce Baldwin (Série Cultura Bíblica)

Sobre a restauração e recuperação de Nabucodonosor (vv. 34-37):

A restauração do rei deveria encorajar os homens a esperar dias melhores, na providência divina, por mais profundo que o castigo do Senhor possa ter sido para com eles. Este capítulo mostra que os pagãos não estão isentos do governo moral de Jeová. As leis morais governam a elevação e a queda dos homens quer estejam relacionadas com Deus através da graça salvadora quer não (vaia também Amós 1:1 – 2:3).

Comentário Bíblico Moody


Concluímos esta ligeira apreciação do capítulo 4 dando louvores a Deus por ter sido tão benévolo em se fazer conhecido a um rei pagão. Ele foi o maior dos homens públicos dos seus dias e depois dele só Ciro, o Persa, se lhe pode igualar.

Antonio Neves Mesquita - Estudos no livro de Daniel (Rio de Janeiro, novembro de 1975).


Por Fernando José.


Textos Complementares 1


A forma da saudação, como do restante do capítulo, indica que este é um documento governamental da Babilônia, incorporado por Daniel às Sagradas Escrituras. Isto indica que a inspiração das Escrituras é através da autoridade divina da pessoa por cuja orientação uma determinada palavra é incluída. Até as palavras de uma mula foram incluídas nas Escrituras (Nm. 22:28, 30) pela autoridade de Moisés! A saudação de Nabucodonosor deu início a este documento – que sem dúvida circulava independentemente antes de ser incluído nas Escrituras – dirigido a todo o seu reino. Não é demais esperar que alguns arqueólogos o encontrem algum dia. Talvez ele já esteja incógnito entre alguns dos milhares de documentos em tabuinhas de barro, descoberto, mas ainda não decifrado.

Comentário Bíblico Moody

Textos Complementares 2


O príncipe tornou a subir ao trono depois de haver passado sete anos no deserto e aplacado a cólera de Deus com uma grande penitência, sem que ninguém durante todo esse tempo ousasse apoderar-se do trono.

JOSEFO, Flavio. HISTÓRIA dos HEBREUS - De Abraão à queda de Jerusalém. 8ª edição, CPAD - Rio de Janeiro, RJ: 2004.


Referências:
Bíblia Online – www.bibliaonline.com.br
Lições Bíblicas CPAD - 4° Trimestre de 2014: Integridade Moral e Espiritual — O legado do livro de Daniel para a Igreja hoje.
Comentário Bíblico Moody.
JOSEFO, Flavio. HISTÓRIA dos HEBREUS - De Abraão à queda de Jerusalém. 8ª edição, CPAD - Rio de Janeiro, RJ: 2004.
MESQUITA, Antonio Neves - Estudos no livro de Daniel (Rio de Janeiro, novembro de 1975).
BALDWIN, Joyce G. Daniel - Introdução e Comentário (Série Cultura Bíblica). Vida Nova –São Paulo, SP: 2008.


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