quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Daniel: Antecedentes e Contexto relacionados ao Profeta






Segundo os relatos bíblicos, a origem de Israel vem de Noé e seus filhos (Gn 10.21-31 e 11.10-32). Doravante, temos a chamada de Abrão:

Então o Senhor disse a Abrão: "Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. “Farei de você um grande povo, e o abençoarei”. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção. Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados". Partiu Abrão, como lhe ordenara o Senhor, e Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Levou sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló, todos os bens que haviam acumulado e os seus servos, comprados em Harã; partiram para a terra de Canaã e lá chegaram. Gênesis 12:1-5.

Um prenúncio acerca do Cativeiro Egípcio:

Então o Senhor lhe disse: "Saiba que os seus descendentes serão estrangeiros numa terra que não lhes pertencerá, onde também serão escravizados e oprimidos por quatrocentos anos. Mas eu castigarei a nação a quem servirão como escravos e, depois de tudo, sairão com muitos bens. Você, porém, irá em paz a seus antepassados e será sepultado em boa velhice. Na quarta geração, os seus descendentes voltarão para cá, porque a maldade dos amorreus ainda não atingiu a medida completa". Gênesis 15:13-16.

Estevão, o diácono exemplar e aquecido pelo Espírito Santo, deixa-nos um resumo da história israelita – de Abraão até o Cativeiro Egípcio:

E deu a Abraão a aliança da circuncisão. Por isso, Abraão gerou Isaque e o circuncidou oito dias depois do seu nascimento. Mais tarde, Isaque gerou Jacó, e este os doze patriarcas. “Os patriarcas, tendo inveja de José, venderam-no como escravo para o Egito”. Mas Deus estava com ele e o libertou de todas as suas tribulações, dando a José favor e sabedoria diante do faraó, rei do Egito; este o tornou governador do Egito e de todo o seu palácio. “Depois houve fome em todo o Egito e em Canaã, trazendo consigo grande sofrimento, e os nossos antepassados não encontravam alimento”. Ouvindo que havia trigo no Egito, Jacó enviou nossos antepassados em sua primeira viagem. Na segunda viagem deles, José fez-se reconhecer por seus irmãos, e o faraó pôde conhecer a família de José. Depois disso, José mandou buscar seu pai Jacó e toda a sua família, que eram setenta e cinco pessoas. Então Jacó desceu ao Egito, onde faleceram ele e os nossos antepassados. Seus corpos foram levados de volta a Siquém e colocados no túmulo que Abraão havia comprado ali dos filhos de Hamor, por certa quantia. “Ao se aproximar o tempo em que Deus cumpriria sua promessa a Abraão, aumentou muito o número do nosso povo no Egito”. Então outro rei, que nada sabia a respeito de José, passou a governar o Egito. Ele agiu traiçoeiramente para com o nosso povo e oprimiu os nossos antepassados, obrigando-os a abandonar os seus recém-nascidos, para que não sobrevivessem. Atos 7:8-19.

Estêvão, homem cheio da graça e do poder de Deus continua acerca de Moisés:

Naquele tempo nasceu Moisés, que era um menino extraordinário”. Por três meses ele foi criado na casa de seu pai. Quando foi abandonado, a filha do faraó o tomou e o criou como seu próprio filho. Moisés foi educado em toda a sabedoria dos egípcios e veio a ser poderoso em palavras e obras. “Ao completar quarenta anos, Moisés decidiu visitar seus irmãos israelitas”. Ao ver um deles sendo maltratado por um egípcio, saiu em defesa do oprimido e o vingou, matando o egípcio. Ele pensava que seus irmãos compreenderiam que Deus o estava usando para salvá-los, mas eles não o compreenderam. No dia seguinte, Moisés dirigiu-se a dois israelitas que estavam brigando, e tentou reconciliá-los, dizendo: ‘Homens, vocês são irmãos; por que ferem um ao outro? ’ “Mas o homem que maltratava o outro empurrou Moisés e disse: ‘Quem o nomeou líder e juiz sobre nós”? Quer matar-me como matou o egípcio ontem? ’ Ouvindo isso, Moisés fugiu para Midiã, onde ficou morando como estrangeiro e teve dois filhos. “Passados quarenta anos, apareceu a Moisés um anjo nas labaredas de uma sarça em chamas no deserto, perto do monte Sinai”. Vendo aquilo, ficou atônito. E, aproximando-se para observar, ouviu a voz do Senhor: ‘Eu sou o Deus dos seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’. Moisés, tremendo de medo, não ousava olhar. “Então o Senhor lhe disse: ‘Tire as sandálias dos pés, porque o lugar em que você está é terra santa”. De fato tenho visto a opressão sobre o meu povo no Egito. Ouvi seus gemidos e desci para livrá-lo. Venha agora, e eu o enviarei de volta ao Egito’. “Este é o mesmo Moisés que tinham rejeitado com estas palavras: ‘Quem o nomeou líder e juiz”? ’ Ele foi enviado pelo próprio Deus para ser líder e libertador deles, por meio do anjo que lhe tinha aparecido na sarça. Ele os tirou de lá, fazendo maravilhas e sinais no Egito, no mar Vermelho e no deserto durante quarenta anos. Atos 7:20-36.

O diácono cheio de graça ainda fala sobre Josué:

“No deserto os nossos antepassados tinham o tabernáculo da aliança, que fora feito segundo a ordem de Deus a Moisés, de acordo com o modelo que ele tinha visto”. Tendo recebido o tabernáculo, nossos antepassados o levaram, sob a liderança de Josué, quando tomaram a terra das nações que Deus expulsou de diante deles. Atos 7:44-45.

Sobre Josué, no processo de assentamento das tribos de Israel, João B. Ribeiro, no Atlas de Estudos Bíblicos cita Antonius A.J. Gunneweg:

“As sagas de Josué pressupõem a visão histórica de uma ação militar coordenada e vinculam os fenômenos em questão (devastações, montões de pedras) com a invasão militar israelita.”

Entre o comando de Josué e o período dos Juízes temos o que chamamos de Teocracia, que pode ser assim definida:

“Período Teocrático ocorreu após Josué, onde Deus governava através dos Juízes e se estendeu até o inicio da Monarquia quando Saul assumiu o trono como o primeiro rei de Israel.” http://www.dicionarioinformal.com.br/

Em síntese, passando pela Monarquia no seu auge (Saul, Davi, Salomão) vemos a sua decadência a partir do reinado de Roboão (1 Reis 14.21-31 e 2 Cr 10), vindo o cisma: Reino do Norte e Reino do Sul!

Sobre o Reino do Norte temos o seguinte:

As narrações bíblicas sobre o Reino do Norte, a infidelidade ao Templo de Jerusalém e a Javé, desvios de moral e justiça dos reis, principalmente da dinastia amride, e do povo são os responsáveis pela destruição do reino, expropriação e exílio, pela mão do exército da Assíria (...) Na verdade das coisas, sabe-se que havia prosperidade em Israel sob Amri, e isto provocou instabilidade social e estimulou a ambição do Império Assírio.
(SANTOS, João Batista Ribeiro. Atlas de Estudos Bíblicos. 2ªed. São Paulo: Didática Paulista, 2011).

Por fim o Reino do Norte cai nas mãos da Assíria, que pode ser definida assim:

Em toda Antiguidade, jamais houve povo, nação ou tribo tão cruel e implacável. A Assíria não administrava a misericórdia ; espalhava o terror e a tirania. Cair em suas mãos significava uma morte lenta e dolorosa. Os filhos de Asur eram exímios torturadores.
Através da História Sagrada, observa-se que o Império Assírio sempre tratou Israel de forma desumana e impiedosa. Foi por isso que Jonas, no século VIII a.C., recusou-se a levar o ultimato divino à capital dos filhos de Assur – Nínive.
(...)
Sua crueldade não conhecia limites. Esfolavam vivos os prisioneiros; cortavam-lhes as mãos, os pés, o nariz e as orelhas; vazavam-lhes os olhos e lhes arrancavam a língua. A fim de eternizar sua obra, os assírios faziam pirâmides com os crânios de suas vítimas.
(...)
Em relação aos povos conquistados, tinha a Assíria uma política implacável. Ela deportava para outras terras as nações subjugadas, visando o extermínio espiritual, moral e étnico destas.
(ADRADE, Claudionor de. Geografia Bíblica. 21ª ed. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2008).

Quanto ao Reino do Sul , vemos a vivência - em meio à fertilidade e prosperidade, desenvolvimento econômico, produção agrícola e industrial em massa – onde reinou a apostasia quanto à revelação divina. Vejamos as palavras de Jeremias:

"Por isso, eu ainda faço denúncias contra vocês", diz o Senhor, “e farei denúncias contra os seus descendentes”. Atravessem o mar até o litoral de Chipre e vejam; mandem observadores a Quedar e reparem de perto; e vejam se alguma vez aconteceu algo assim: Alguma nação já trocou os seus deuses? E eles nem sequer são deuses! Mas o meu povo trocou a sua Glória por deuses inúteis. Jeremias 2:9-11.

Jeremias em suas profecias fala acerca da importância da submissão do Reino do Sul e sobre a instrumentalidade de Nabucodonosor, rei de Babilônia:

No início do reinado de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, veio esta palavra a Jeremias da parte do Senhor: Assim me ordenou o Senhor: "Faça para você um jugo com cordas e madeira e ponha-o sobre o pescoço. Depois mande uma mensagem aos reis de Edom, de Moabe, de Amom, de Tiro e de Sidom, por meio dos embaixadores que vieram a Jerusalém para ver Zedequias, rei de Judá. Esta é a mensagem que deverão transmitir aos seus senhores: Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: ‘Eu fiz a terra, os seres humanos e os animais que nela estão, com o meu grande poder e com meu braço estendido, e eu a dou a quem eu quiser. Agora, sou eu mesmo que entrego todas essas nações nas mãos do meu servo Nabucodonosor, rei da Babilônia; sujeitei a ele até mesmo os animais selvagens. Todas as nações estarão sujeitas a ele, a seu filho e a seu neto; até que chegue a hora em que a terra dele seja subjugada por muitas nações e por reis poderosos.” ‘Se, porém, alguma nação ou reino não se sujeitar a Nabucodonosor, rei da Babilônia, nem colocar o pescoço sob o seu jugo, eu castigarei aquela nação com a guerra, a fome e a peste’, declara o Senhor, ‘e por meio dele eu a destruirei completamente. Não ouçam os seus profetas, os seus adivinhos, os seus intérpretes de sonhos, os seus médiuns e os seus feiticeiros, os quais lhes dizem para não se sujeitar ao rei da Babilônia. Porque são mentiras o que eles profetizam para vocês, o que os levará para longe de sua terra. Eu banirei vocês, e vocês perecerão. Mas, se alguma nação colocar o pescoço sob o jugo do rei da Babilônia e a ele se sujeitar, então deixarei aquela nação permanecer na sua própria terra para cultivá-la e nela viver’, declara o Senhor". Entreguei a mesma mensagem a Zedequias, rei de Judá, dizendo-lhe: Coloquem o pescoço sob o jugo do rei da Babilônia, sujeitem-se a ele e ao seu povo, e vocês viverão. Jeremias 27:1-12.

O contexto político e os últimos momentos do Reino do Sul estão registrados em 2 Reis 24-25.

Claudionor de Andrade descreve o castigo, o exílio e o resultado deste:

O castigo imposto por Nabucodonosor a Jerusalém foi indescritível. Seus exércitos caíram como gafanhotos sobre a Cidade Santa. Destruíram seus palácios, derribaram seus muros e deitaram por terra o Santo Templo. O mais santo dos lugares não passava, agora, de um monturo.
Doravante, andariam os judeus errantes, por 70 anos, numa terra estrangeira e idólatra. O exílio, contudo, seria mui benéfico à progênie de Abraão. A partir de seu exílio em Sinear não mais se curvaria aos falsos deuses.
(ADRADE, Claudionor de. Geografia Bíblica. 21ª ed. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2008).

No Exílio Babilônico aparece o Profeta Daniel (Daniyye’l – Deus é o meu Juiz), juntamente com Ezequiel e Jeremias. Sobre este Daniel, vejamos:

Ele era jovem quando foi levado entre os deportados para a Babilônia, talvez já no início do domínio babilônico sobre Jerusalém em 605 a.C. tinha aproximadamente 80 anos, quando recebeu a visão da profecia das 70 semanas (Dn 9).
Sabe-se muito pouco acerca do sábio citado no Livro de Daniel, mas provavelmente, pelos conhecimentos que demonstrava possuir, que ele fizesse parte das camadas dominantes e dirigentes de Jerusalém, gente que os babilônios levaram como cativos.
Ele era reconhecidamente um homem de ciência, is chegou a ser conselheiro não apenas do rei babilônio Nabucodonosor, mas também do rei persa Ciro II, quando a Pérsia se transformou no novo império (Dn 1.21; 10.1).
(SANTOS, João Batista Ribeiro. Dicionário Bíblico. São Paulo: Didática Paulista, 2006).

Quanto ao Livro de Daniel, constatamos que o mesmo trata da economia divina em relação aos grandes impérios mundiais, ao mesmo tempo em que traz ânimo e esperança para o povo judeu diante das perseguições vindouras.


Por Fernando José.



Referências:
Bíblia NVI.
Bíblia Online - www.bibliaonline.com.br
Dicionário Informal -  http://www.dicionarioinformal.com.br
Lições Bíblicas CPAD - 4° Trimestre de 2014: Integridade Moral e Espiritual — O legado do livro de Daniel para a Igreja hoje.
SANTOS, João Batista Ribeiro. Atlas de Estudos Bíblicos. 2ªed. São Paulo: Didática Paulista, 2011.
ADRADE, Claudionor de. Geografia Bíblica. 21ª ed. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2008.
SANTOS, João Batista Ribeiro. Dicionário Bíblico. São Paulo: Didática Paulista, 2006.





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