domingo, 1 de maio de 2016

Resenha: Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja






Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja (Título original em inglês: Reading Scripture with the Church Fathers de Christopher A. Hall da Editora Ultimato, 2007).


Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja vem, de forma instrumental, teológica e acadêmica mostrar que há, entre outros pontos, atitudes errôneas quanto ao que é ser um teólogo no tempo hodierno:
*A mente moderna que se distancia da tradição (culto, oração, comunidade cristã, compaixão, serviço, humildade, temor, tremor, envolvimento com o Espírito Santo),
*A nova teologia (que não traz nada de novo para o mundo emergente),
*O desrespeito pelas raízes (comunidade cristã da antiguidade, juntamente com suas inquirições e reflexões),
*A certeza de que é impossível a construção de uma ponte que ligue a genuína tradição (os pais) à contemporaneidade.
No capitulo 3 (Quem são os Pais?) o autor mostra o outro lado importante da vida da igreja primitiva: “as mães da igreja”, como atuaram, a importância e a mente delas, o método inquiridor, a devoção, as riquezas (que eram investidas em mosteiros e em benefício da comunidade cristã), a perspicácia acerca das escrituras, a erudição, o ascetismo, a renúncia, a disciplina, o brio...
Os capítulos 4 (Os Quatro Doutores do Oriente) e 5 (Os Quatro Doutores do Ocidente) fazem uma exposição referente às características físicas dos exegetas, também demonstra as respostas sólidas aos falsos argumentos, entre eles o do presbítero Ário quanto à encarnação do Filho de Deus, argumentos tidos como uma teologia amadora e sem saúde espiritual. Nessa parte do livro vemos a expressão de deslumbrantes pensamentos, cartas, discursos e poemas, que contêm alusões à Escritura. Aqui vemos homens introvertidos, solitários, contemplativos, poetas, ortodoxos, clássicos, retóricos, argutos hermeneuticamente, perpétuos estudantes, influenciados por mulheres que se tornaram marco, guia e influência; pastores, bispos, teólogos, de forte liderança eclesiástica; homens que criam que a Escritura vem do Espírito Santo, reverentes a mensagem. Christopher Hall apresenta, nos capítulos referidos, personagens que faziam leitura contínua da Escritura, que tinham ansiedade de determinar o sentido literal, ou ainda mergulhados na alegoria apresentavam uma exegese inteligível e acessível; deixaram um legado literário bem extenso; passaram por sofrimentos que geraram em suas vidas dores e mágoas, mostrando aos demais contemporâneos as valiosas lições que podem ser aprendidas com o sofrimento e a importância de identificar-se com os que sofrem. Vejamos: “Pois nada há que una o amor tão firmemente como partilhar tanto a alegria como a dor uns dos outros. Porque você está longe das dificuldades, não fique também indiferente, sem simpatizar...” e, “... tenhamos uma alma pronta a simpatizar e um coração que saiba como sentir com outros em suas aflições...” (P.113).
Diante do supracitado (e de outras passagens do livro que não foram citadas), concluímos que:
*As nossas exegeses, teologias, academias e análises sem nutrientes, à parte da fé, pode distanciar-nos da vida da comunidade cristã,
*Carecemos das possessões (marcas) espirituais do começo do cristianismo,
* Devemos aderir ao exame das Escrituras,
*Precisamos manter o ritmo ativo e contínuo das orações,
*É necessário ter a noção de que o ensinamento de Deus é passado de pais para filhos e os princípios cristãos são transmitidos de geração em geração.
*Que o crescimento, a preservação e o aperfeiçoamento da identidade cristã, juntamente com a reverência, sacrifício e a meditação que cercaram os pais da igreja traz-nos muitos ensinamentos. E,
*Podemos viver uma teologia experimental que é a vivência (proximidade) com o tradicionalismo apostólico (onde tudo começa).

Por fim, o livro nos mostra que a nossa teologia de cada dia, segundo Gregório de Nazianzo (329-390), deve ser: “... Um tipo de adoração, um empenho santo, algo que floresce no contexto da oração, devoção e adoração...” (P.83).


Por Fernando José. 





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