quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Resenha: Filosofia e Fé Cristã






BROWN, Colin. Filosofia e fé cristã; São Paulo: Vida Nova, 2007 - 2.ª Edição revisada. 280 p.


Colin Brown inicia seu livro deixando evidente que os cristãos sempre consideraram o entrosamento da fé cristã com a filosofia um relacionamento perigoso. Algo que sempre esteve em vigor: Cristianismo e Filosofia se encontrando em meio a acusações e remendos de forma negligente! Sempre houve inúmeras advertências contra essa união, porém, outros achavam que a filosofia era o veículo que levaria os pagãos à verdadeira religião. Havia um embate: Primeiros Apologistas (Pais da Igreja) versus Filosofia (Sabedoria com Fé). Em suma, para o autor, a história da filosofia da religião é uma disciplina padrão cheia de protestos, acusações e discussões que não leva a lugar nenhum. Na realidade, os filósofos crentes e descrentes, partirão do princípio de que a filosofia é a parte do saber que, de forma inteligente, se ocupa de investigações de princípios gerais quanto à realidade, conhecimento, existência... 
Em meio às preocupações, declarações, comparações e oposições o autor entra no cenário fazendo um levantamento dos principais pensadores e movimentos intelectuais do pensamento ocidental. Brown esclarece que, diante do atual clima intelectual, e da séria falta de livros que procuram oferecer uma visão geral da história da filosofia até ao dia presente e do seu relacionamento com o cristianismo, é necessário que o leitor/filósofo tenha um profundo comprometimento com a fé cristã!
A formulação de perguntas e respostas dos pensadores medievais, bem como a relação e a atitude adotada com a filosofia - ainda que alguns a denunciaram, dizendo que era vã e tendo-a como a raiz de toda heresia - mostra-a como algo proveitoso com a qual deveria haver um relacionamento de amor. 
Na raiz do pensamento medieval vemos o discorrer sobre a filosofia grega, sobre o neo-platonismo e suas crenças, sobre as várias formas do platonismo, também sobre a influência de Aristóteles.
Colin Brown fala a respeito dos pensadores medievais voltados para a Metafísica. O autor mostra que o pensamento da Idade Média foi acompanhado pelo desinteresse pelo universo físico e uma despreocupação referente às questões científicas a respeito dos fenômenos naturais. Inclui-se aqui o Escolasticismo que, segundo o autor, se resumia nas escolas de pensamento medievais que se preocupavam com a definição e sistematização do modo cristão de entender a realidade; em suma, tratavam em grande parte, do relacionamento entre Deus e o mundo. O relacionamento da crença cristã da época com o pensamento racional tinha o interesse pelos debates acerca da natureza das coisas, perguntas e respostas, existência, emprego de termos da linguagem, palavras, conveniência, etc.
As ideias e pontos de vista do pensamento medieval exprimem extremismo, ceticismo e bom senso. Para o autor, a filosofia medieval preocupava-se com a verdade eterna, mas negligenciava as verdades centrais da revelação.
Em síntese Colin Brown define o relacionamento da Igreja com a Filosofia Grega como uma curiosa mistura de fé cristã e saber pagão. A igreja tinha o monopólio clerical e a maioria dos filósofos medievais eram clérigos. O uso de argumentos e conceitos era usado para defender os ideais cristãos – o que frequentemente gerava consequências desastrosas: confusão, distorção, ataques ideológicos. Vemos então como resultado, pensamentos e escritos lógicos e formais, eficientes e áridos.
Brown lembra a demonstração da lógica através de argumentos. Nomes como o de Anselmo têm, também, um grande significado em Filosofia e fé cristã. Argumentos que falam de Perfeição e Existência maior do que qualquer outra coisa.
Colin expõe sobre os inteligentes da História que se encontraram contra e a favor de vários argumentos de vários pensadores , assim como as formas de abordar, as diferentes maneiras, adaptações, ajustes, refutações elaborados para as suas próprias filosofias.
Colin Brown apresenta a presente obra optando pela concentração em ideias e posições cruciais, estilos, ensino básico e verdades centrais para os dias de hoje, visando um Cristianismo com conteúdo e sem utopias. 


Por Fernando José. 



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