segunda-feira, 10 de outubro de 2016

#VC6 - VIUVEZ






VISÃO CRISTOCÊNTRICA (6): VIUVEZ


Viúva (Heb. ‘almãnãh, Gr. chera).

O estado de viuvez se dá quando o homem ou mulher passa pela separação, da morte, do seu cônjuge, e, não volta a casar. Vemos nas Sagradas Escrituras, exemplos relacionados a esta situação:

Noemi, Rute e Orfa.

E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra; por isso um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar nos campos de Moabe, ele e sua mulher, e seus dois filhos; E era o nome deste homem Elimeleque, e o de sua mulher Noemi, e os de seus dois filhos Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; e chegaram aos campos de Moabe, e ficaram ali. E morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com os seus dois filhos, Os quais tomaram para si mulheres moabitas; e era o nome de uma Orfa, e o da outra Rute; e ficaram ali quase dez anos. E morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido. Rute 1:1-5

A viúva de Sarepta.

Então veio a ele a palavra do SENHOR, dizendo: Levanta-te, e vai para Sarepta, que é de Sidom, e habita ali; eis que eu ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente. Então ele se levantou, e foi a Sarepta; e, chegando à porta da cidade, eis que estava ali uma mulher viúva apanhando lenha; e ele a chamou, e lhe disse: Traze-me, peço-te, num vaso um pouco de água que beba. E, indo ela a trazê-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me agora também um bocado de pão na tua mão. Porém ela disse: Vive o SENHOR teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela, e um pouco de azeite numa botija; e vês aqui apanhei dois cavacos, e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos, e morramos. E Elias lhe disse: Não temas; vai, faze conforme a tua palavra; porém faze dele primeiro para mim um bolo pequeno, e traze-o aqui; depois farás para ti e para teu filho. Porque assim diz o SENHOR Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará até ao dia em que o SENHOR dê chuva sobre a terra. E ela foi e fez conforme a palavra de Elias; e assim comeu ela, e ele, e a sua casa muitos dias. Da panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou; conforme a palavra do SENHOR, que ele falara pelo ministério de Elias. E depois destas coisas sucedeu que adoeceu o filho desta mulher, dona da casa; e a sua doença se agravou muito, até que nele nenhum fôlego ficou. Então ela disse a Elias: Que tenho eu contigo, homem de Deus? vieste tu a mim para trazeres à memória a minha iniquidade, e matares a meu filho? E ele disse: Dá-me o teu filho. E ele o tomou do seu regaço, e o levou para cima, ao quarto, onde ele mesmo habitava, e o deitou em sua cama, E clamou ao SENHOR, e disse: O SENHOR meu Deus, também até a esta viúva, com quem me hospedo, afligiste, matando-lhe o filho? Então se estendeu sobre o menino três vezes, e clamou ao SENHOR, e disse: O SENHOR meu Deus, rogo-te que a alma deste menino torne a entrar nele. E o SENHOR ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu. E Elias tomou o menino, e o trouxe do quarto à casa, e o deu a sua mãe; e disse Elias: Vês aí, teu filho vive. Então a mulher disse a Elias: Nisto conheço agora que tu és homem de Deus, e que a palavra do SENHOR na tua boca é verdade. 1 Reis 17:8-24

A viúva do azeite.

E uma mulher, das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao SENHOR; e veio o credor, para levar os meus dois filhos para serem servos. E Eliseu lhe disse: Que te hei de fazer? Dize-me que é o que tens em casa. E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite. Então disse ele: Vai, pede emprestadas, de todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas. Então entra, e fecha a porta sobre ti, e sobre teus filhos, e deita o azeite em todas aquelas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia. Partiu, pois, dele, e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; e eles lhe traziam as vasilhas, e ela as enchia. E sucedeu que, cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Traze-me ainda uma vasilha. Porém ele lhe disse: Não há mais vasilha alguma. Então o azeite parou. Então veio ela, e o fez saber ao homem de Deus; e disse ele: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto. 2 Reis 4:1-7

Estar em estado de viuvez sempre foi considerado, no decorrer dos tempos, como sinônimo de sofrimento, desamparo, separação, enfim, “não ter nada”. Para a mulher a situação sempre foi mais complicada: o marido morre, logo, sua posição socioeconômica decai, e ainda, nos tempos do A.T. a situação se agravava se o marido deixasse-a sem filhos, o que era considerado como desgraça, desvantagem, sorte infeliz... Para reverter à situação, se a viúva vivesse de acordo com o pacto judaico (A.T.), ela retornaria para a casa paterna a fim de se sujeitar ao LEVIRATO, descrito em Deuteronômio 25. 5-10:

Quando irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, então a mulher do falecido não se casará com homem estranho, de fora; seu cunhado estará com ela, e a receberá por mulher, e fará a obrigação de cunhado para com ela. E o primogênito que ela lhe der será sucessor do nome do seu irmão falecido, para que o seu nome não se apague em Israel. Porém, se o homem não quiser tomar sua cunhada, esta subirá à porta dos anciãos, e dirá: Meu cunhado recusa suscitar a seu irmão nome em Israel; não quer cumprir para comigo o dever de cunhado. Então os anciãos da sua cidade o chamarão, e com ele falarão; e, se ele persistir, e disser: Não quero tomá-la; Então sua cunhada se chegará a ele na presença dos anciãos, e lhe descalçará o sapato do pé, e lhe cuspirá no rosto, e protestará, e dirá: Assim se fará ao homem que não edificar a casa de seu irmão; E o seu nome se chamará em Israel: A casa do descalçado.

Esse código tinha por objetivo remover a desgraça da viúva (que no momento estava sem marido e sem filhos). Sendo assim, um irmão do falecido (ou um parente próximo) estabelece a relação matrimonial com a viúva a fim dar apoio a mesma, gerando filhos em nome do falecido. Poderia até mesmo não haver sentimento entre ambos, mas, a herança (posses, terras, etc.) assim como a descendência “não podia faltar”. Temos então, aqui, uma forma de amparo a viúva.

Ainda sobre o assunto, temos uma 2ª (segunda) forma de amparo a viuvez, na Lei dada por Deus, veja:

A nenhuma viúva nem órfão afligireis. Êxodo 22:22

...tratai da causa das viúvas. Isaías 1:17

A 3ª (terceira) alternativa (não exatamente nesta ordem) que temos como referência é o próprio Deus:

Pois o SENHOR vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas; Que faz justiça... à viúva... Deuteronômio 10:17-18

Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo. Salmos 68:5

O SENHOR guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios. Salmos 146:9

Deixa os teus órfãos, eu os guardarei em vida; e as tuas viúvas confiem em mim. Jeremias 49:11

Por fim, nos dias de hoje, seguindo os melhores exemplos da igreja primitiva, a Igreja não se ocupará tão somente com a espiritualidade, cultos, liturgias, etc. também terá um ministério cotidiano que se ocupará com as questões financeiras e administrativas que envolverão os necessitados. Não falamos aqui somente de viúvas (estas terão que ser qualificadas: 1 Timóteo 5.3-7), tem também os órfãos, os que tem carência financeira, os estrangeiros - aqueles que estão em sua cidade, mas, não são da sua cidade, que estão “sem eira nem beira”, sem saber o que fazer, nem para onde ir! A Igreja que possui a verdadeira fonte de recursos para a família, ajudará (sem caminhos burocráticos) os que são desprezados. É responsabilidade (Dela) apoiar e sustentar segundo as qualificações e conforme o acordado no momento. Ela terá a responsabilidade de ser, para quem precisa, o antônimo de sofrimento e desamparo no mundo hodierno.



Por Fernando José, em Julho/2012. Revisado em Setembro/2016.



Bibliografia:

Bíblia Thompson – ECA (Ed. Vida).
Mini Aurélio (Ed. Nova Fronteira, 2000).
VINE, W.E., Merril F. Unger e William White Jr. Dicionário Vine: o significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. (CPAD, 2006).
STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento (Ed. Templus, 2008)
BENTHO, Esdras Costa. A família no Antigo Testamento: História & Sociologia, CPAD.


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