segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Resenha: O escândalo do comportamento evangélico








SIDER, Ronald J. O escândalo do comportamento evangélico: por que os cristãos estão vivendo exatamente como o resto do mundo? (Título original: The Scandal of the Evangelical Conscience) -1ª edição: Dezembro de 2006. Tradução: Jorge Camargo – Viçosa, MG: Ultimato, 2006. 144p.




Sider mostra, logo de início, como se encontra o evangelicalismo nas Américas. Com uma história simples e educativa, ele fala sobre uma Grande Religião que se espalha por todo o mundo, mas, com o tempo, o povo que faz parte dessa portentosa instituição começa a usar de gentileza, concordando com todos para agradar a todos; a falta de energia e veemência compõe esse todo, acrescido a isso a dúvida e falta de crença. Em meio a esse cenário, surge o movimento de renovação conclamando o povo a retornar às raízes, mas, com o passar do tempo esse movimento tão apaixonado torna-se tão sofisticado que assume uma posição pior que a da primeira etapa. Com base em resultado de pesquisas, o autor vai mais além dizendo que a destruição rápida do cristianismo na América do Norte se dá através da prática diária (a relação com o dinheiro, o sexo, interesses pessoais, etc.). Essa prática diária não leva a seguir um estilo cristão evangelical, e sim, assumir um estilo de vida hedonista, materialista, egoísta e imoral como os deste mundo.  
Visando profundidade, descobrimento, correção e obediênciaSider demonstra através do livro O escândalo do comportamento evangélico que: 1) O escândalo é profundo e extenso, 2) As Escrituras falam sobre o poder do Cristo que corrige combate esse escândalo e, 3) Há esperança em meio ao escândalo.

Segundo o autor, a profundidade do escândalo baseia-se em sintomas apontados por pesquisas que não correspondem a uma boa estatística: divórcio, materialismo, promiscuidade sexual, racismo, abuso físico no casamento, negligência à visão de mundo bíblica, busca desenfreada pela realização pessoal, não viver o que prega, etc. Sider contrasta o comportamento cristão contemporâneo e o ensino e a prática do Novo Testamento. Dessa forma, o que Jesus esperava e espera de nós juntamente com a vida experimental dos cristãos primitivos, está aquém da nossa vida de hipocrisia hodierna! Sendo assim, os cristãos primitivos viveram uma vida de qualidade e transformação que atraía vidas, enquanto afastamos pessoas de Cristo e da vivência cristã.
Para Ronald, a vida da cristandade atual põe em análise o que Jesus disse sobre como seriam os seus discípulos e sobre o que o Novo Testamento diz sobre o pensamento e a vivência dos primeiros cristãos...
O autor, falando sobre a revelação de Deus nas Escrituras e no modo correto de agir quanto a essa revelação, atenta para o fato de que os cristãos não são perfeitos, ao mesmo tempo em que mostra que a melhor resposta ao pecado é a confissão: Deus é o que perdoa e purifica e faz mais que nos conceder perdão. Sider, através da teologia joanina, indica-nos que podemos dizer quem é cristão observando suas ações: amor de maneira prática, interligação do amor ao próximo e obediência a Deus...!  Os escritos joaninos vão de encontro ao orgulho das “nossas doutrinas” e desobediência aos ensinamentos de Cristo.

Ronald aponta que os mandamentos de Deus estão bem distantes comportamento escandaloso dos cristãos evangélicos de hoje: divórcio, posses indevidas, prazer no acúmulo de riquezas e de propriedades, as oferta sem significância, racismo para com os demais cristãos do Corpo, nossos esforços evangelísticos sem ações amorosas, falsidade, desprezo pela viúva e pelo órfão.
As marcas da igreja primitiva - cuidado e partilha de bens e de recursos com os pobres, cuidado para com os abandonados – juntamente com o amor ativo que os de fora viam na comunidade cristã, ficaram registradas de forma notável, para aviso nosso, indicando-nos o grande contraste entre aquilo que Jesus e a igreja primitiva diziam e faziam e aquilo que muitos evangélicos fazem hoje.
Em síntese, esse contraste ajuda-nos a compreender o cerne desse escandaloso fracasso atual e experimental, que, estamos certos, de que haverá, em Deus, correção.



Por Fernando José. 




A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Blog O Inconformista.






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